Ir para o conteúdo

Qualidade

100% das FVS aprovadas. Boa notícia?

Gizele Corrêa de Figueiredo · 11 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

Resposta rápida

Pode ser uma boa notícia. Mas o percentual, sozinho, não demonstra estabilidade da execução. Se houve correção informal, retrabalho ou ajuste antes do registro da inspeção, a FVS pode estar medindo apenas o estado final do serviço — e não a qualidade do processo que o produziu.

O número parece perfeito

Uma obra apresenta 100% de aprovação nas fichas de verificação de serviço. À primeira vista, o indicador parece excelente.

Mas há uma pergunta anterior: o que aconteceu antes de a inspeção ser registrada?

Aprovado não significa "feito certo de primeira"

Imagine que o serviço tenha sido executado com um problema, identificado pelo mestre, corrigido e só depois levado à inspeção formal. A ficha pode terminar aprovada — corretamente — e ainda assim esconder instabilidade do processo.

Não há problema em corrigir antes de liberar. O problema está em interpretar o resultado final como se ele descrevesse todo o caminho até chegar ali.

O indicador precisa saber o que mede

Um indicador de aprovação pode responder à pergunta "quanto do que foi formalmente inspecionado terminou conforme?". Ele não responde automaticamente "quanto foi executado certo de primeira?".

São perguntas diferentes e podem exigir sinais diferentes.

Quando o número vira decisão

Se a construtora percebe correções recorrentes antes da inspeção, o aprendizado não deve ser "continuamos com 100%". Deve ser: por que este ponto está exigindo correção? O critério está claro? A equipe foi orientada? O projeto facilita a execução? O material interfere?

É aí que a FVS deixa de ser apenas evidência de conformidade e passa a alimentar gestão.

Uma leitura mais madura

Indicador bom não é o que apresenta o melhor número. É o que permite enxergar a realidade com antecedência suficiente para decidir melhor.